
Empreitada deverá estar concluída em 2028
O concelho de Matosinhos vai acolher uma nova fábrica de material circulante ferroviário que, a partir de 2028, produzirá comboios destinados às linhas suburbanas da CP – Comboios de Portugal.
O projeto, desenvolvido pela fabricante francesa Alstom em parceria com a empresa portuguesa DST, representa um marco para a indústria ferroviária nacional e deverá criar 300 postos de trabalho diretos e cerca de mil empregos indiretos.
A primeira pedra da futura unidade industrial foi lançada esta manhã, no Complexo Oficinal de Guifões, numa cerimónia que contou com a presença do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e da Secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias.
A Câmara Municipal de Matosinhos esteve representada pelo vice-presidente e responsável pelo pelouro dos Transportes e Mobilidade, Carlos Mouta. A cerimónia contou igualmente com a presença da presidente da Junta de Freguesia de Guifões, Ana Patrícia Fernandes.
Com uma área prevista de 20 mil metros quadrados, a nova unidade deverá estar concluída em 2028. O primeiro comboio produzido em Portugal sairá da linha de montagem em 2029, reforçando a capacidade industrial do país e o desenvolvimento de competências especializadas no setor ferroviário.
A fábrica será responsável pela produção de 81 automotoras destinadas aos serviços suburbanos da CP. Os novos comboios foram concebidos especificamente para o mercado português e terão três carruagens, capacidade para transportar até 450 passageiros, acessos sem degraus, ligação wi-fi e espaços dedicados a pessoas com mobilidade reduzida e ao transporte de bicicletas.
A instalação da unidade em Guifões integra-se no âmbito do contrato celebrado entre a CP e a Alstom para a aquisição de 153 comboios — 117 previstos no contrato-base e mais 36 unidades adicionais — num investimento global de 1.064 milhões de euros, considerado o maior de sempre realizado em Portugal na compra de material circulante ferroviário.
Além da renovação da frota da CP, o projeto representa uma aposta na reindustrialização e na valorização da ferrovia enquanto eixo estratégico da mobilidade sustentável. A nova fábrica contribuirá para o reforço do conhecimento técnico nacional no setor ferroviário, potenciando a criação de emprego qualificado e o desenvolvimento da cadeia de fornecimento associada à indústria ferroviária.
