
Iniciativa assinalou o encerramento da exposição “Menus e Artes da Mesa na Belle Époque”
O Museu Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira, recebeu, nos dias 16 e 17 de outubro, Uma Soirée na Casa dos Santiago, um jantar-espetáculo que recriou o ambiente de um encontro privado na antiga residência da família Santiago. A iniciativa encerrou a exposição “Menus e Artes da Mesa na Belle Époque”, que esteve patente no museu até ontem.
Sem palco convencional, o espetáculo transformou as salas de jantar e de cocktail num cenário de época, onde os convidados deixaram de ser meros espectadores para participar na narrativa. A experiência recuperou os rituais à mesa, os códigos de sociabilidade e a elegância associados à arte de receber entre o final do século XIX e os primeiros anos do século XX, cruzando esse imaginário com referências estéticas dos anos 20.
O serão começou com um cocktail de receção no Salão Luís XVI, onde os participantes foram acolhidos por personagens que representaram João Santiago de Carvalho e Sousa e Maria Carolina de Santiago, antigos proprietários da Quinta. Seguiu-se o encaminhamento dos convidados para as mesas, num ambiente marcado por intervenções dramatizadas e pela recriação dos hábitos de uma casa senhorial.
Cada participante recebeu previamente uma personagem histórica, assumindo figuras da sociedade da época, como um visconde, um industrial conserveiro, uma pianista ou uma debutante. A atribuição das personagens foi acompanhada por indicações de vestuário e materiais de apoio, incluindo sugestões musicais, que permitiram preparar a experiência antes da chegada ao museu.
O traje de época, obrigatório, trouxe à soirée elementos como chapéus, luvas, pérolas, suspensórios e laços, inspirados na Belle Époque ou nos anos 20. A disposição dos convidados à mesa e as interações entre personagens contribuíram para recriar os códigos sociais de um serão privado.
A componente gastronómica teve como ponto de partida os cerca de 100 menus reunidos na exposição “Menus e Artes da Mesa na Belle Époque”. O jantar foi concebido e servido pelos alunos do Curso de Cozinha e Restauração da Escola Secundária Gonçalves Zarco, sob orientação de Pedro Pacheco, diretor do curso.
A ementa constituiu uma interpretação dos hábitos gastronómicos e dos sucessivos serviços que caracterizavam as refeições formais da época. A apresentação dos pratos, a organização da refeição e a utilização de peças de mesa contribuíram para a recriação do ambiente histórico.
Pratas e cristais habitualmente integrados no universo expositivo assumiram um papel central na composição das mesas, aproximando o património preservado pelo museu da experiência proporcionada aos participantes.
A programação artística reuniu diferentes linguagens performativas. A Academia de Dança de Matosinhos apresentou coreografias inspiradas no universo de The Great Gatsby, sob direção artística de Diana Amaral, evocando a exuberância e o ambiente festivo associados aos anos 20.
A noite contou também com a participação da cantora Joana Nunes, acompanhada pelo Qualis ArtEnsemble, com Francisca Fernandes ao piano, Cristiana Gonçalves no contrabaixo e Diogo Maia na percussão. A música ao vivo acompanhou o jantar, com momentos artísticos distribuídos ao longo do serão.
Com curadoria do Professor Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, a exposição “Menus e Artes da Mesa na Belle Époque” propôs uma viagem ao universo material e social das refeições formais entre o final do século XIX e os primeiros anos do século XX.
A mostra reuniu objetos e documentos associados à cultura da mesa, incluindo pratas, louças, cristais, têxteis, mobiliário e outros elementos utilizados na preparação e apresentação das refeições. Os menus ocuparam um lugar de destaque enquanto testemunhos dos hábitos alimentares, das preferências gastronómicas e dos códigos sociais que marcaram a época.
