
Escavações arqueológicas no Castro de Guifões abertas à comunidade
O sítio arqueológico do Monte Castêlo, em Guifões — também conhecido como Castro de Guifões — voltou a abrir-se à comunidade no âmbito da Semana Aberta do projeto GUIFARQ, permitindo acompanhar no terreno os trabalhos de escavação arqueológica e contacto direto com investigadores.
A iniciativa decorreu entre os dias 18 e 21 de maio, dedicada ao público escolar, e hoje abriu-se à população em geral, convidando a comunidade a conhecer de perto o processo de investigação, escavação e valorização do património arqueológico do concelho de Matosinhos.
Durante a Semana Aberta, várias escolas do concelho e da Área Metropolitana do Porto visitaram as escavações, entre outras, a Escola de Guifões, a EB Irmãos Passos, a Escola Básica de Nogueira Pinto (Leça da Palmeira), o Lycée Français International do Porto e iniciativas de visita sénior promovidas pela Junta de Freguesia de Guifões.
A ação permitiu aos participantes observar diretamente o trabalho dos arqueólogos no terreno e compreender como se constrói o conhecimento histórico a partir dos vestígios encontrados.
Promovido através de uma parceria entre a Câmara Municipal de Matosinhos e a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e com a colaboração da APDL, o projeto GUIFARQ tem vindo a afirmar-se como um dos mais relevantes programas de investigação arqueológica do concelho, incidindo no Monte Castêlo, considerado o sítio arqueológico mais importante de Matosinhos.
O projeto celebra em 2026 dez anos de investigação contínua no Castro de Guifões, período durante o qual tem sido possível aprofundar o conhecimento sobre a ocupação humana do local, com vestígios que remontam desde a Idade do Ferro até à Alta Idade Média.
Ao longo dos trabalhos arqueológicos, o sítio tem revelado uma ocupação diacrónica marcada por influências romanas, estruturas associadas a um antigo castelo senhorial e evidências de atividades económicas ligadas ao estuário do rio Leça, incluindo marinhas de sal.
Os vestígios materiais recolhidos — como cerâmica local e romana, ânforas, lucernas e grandes recipientes de armazenamento (dolia) — encontram-se atualmente em exposição no Museu da Memória de Matosinhos, contribuindo para a preservação e divulgação da história do território.
A aquisição dos terrenos pela autarquia em novembro de 2024 reforça o compromisso da Câmara Municipal de Matosinhos com a preservação e valorização deste património único, assegurando a continuidade dos trabalhos de investigação e a sua abertura à comunidade.

