
Situação da Qualidade da Água e Interdições
A Praia de Matosinhos tem enfrentado interdições frequentes devido à contaminação da água balnear — um problema complexo, resultante de múltiplos fatores e que exige uma intervenção técnica rigorosa e articulada.
Um dos principais fatores que contribuem para esta situação está relacionado com a influência de dois cursos de água naturais: a Ribeira da Riguinha e a Ribeira de Carcavelos. Ambas têm origem na zona da Senhora da Hora e atravessam áreas urbanas densamente povoadas do concelho de Matosinhos. Com o crescimento e a expansão da cidade, muitos destes cursos foram progressivamente canalizados e integrados na rede urbana, dificultando a sua monitorização e favorecendo a introdução de poluentes, sobretudo através de ligações irregulares à rede pluvial.
Estes cursos de água são significativamente afetados por cerca de 900 ligações ilegais, que descarregam águas residuais e efluentes diretamente nas ribeiras e, consequentemente, na zona balnear.
A deteção e resolução destas ligações ilegais têm sido um processo técnico moroso e complexo, que requer a colaboração de várias entidades e uma atuação contínua e sistemática.
Para fazer face a este desafio, a Câmara Municipal de Matosinhos está a implementar um plano abrangente de combate à poluição, em estreita parceria com várias universidades, incluindo a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Entre as ações em curso, destacam-se:
1. Inspeção técnica com recurso a vídeo no interior de coletores e câmaras de visita, permitindo localizar descargas indevidas;
2. Utilização de corantes para rastrear o percurso da água contaminada até à praia;
3. Notificação de proprietários responsáveis por ligações ilegais, com indicação para a sua correção imediata;
4. Presença de uma equipa permanente dedicada à identificação, intervenção e acompanhamento dos pontos críticos.
A variabilidade na qualidade da água motivou o reforço substancial da monitorização. Atualmente, realizam-se análises em vários dias e horários ao longo da semana, por diversas entidades, assegurando maior rigor e transparência na avaliação das condições da água e permitindo uma resposta mais célere em caso de anomalias.
Para além das ribeiras, existem outros dois fatores que influenciam negativamente a qualidade da água:
1. A elevada presença de gaivotas, cuja população pode ultrapassar as quatro mil aves na praia;
2. A proliferação de bactérias, agravada por fenómenos associados às alterações climáticas e a condições ambientais específicas.
A autarquia mantém um esforço contínuo e articulado, em colaboração com entidades regionais e nacionais, no sentido de mitigar estes impactos e assegurar a qualidade ambiental das zonas balneares do concelho.
Encontra-se em fase de planeamento um projeto de desvio das águas das ribeiras, desenvolvido com base num estudo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. A proposta contempla a construção de um canal que conduza estas águas a cerca de 600 metros mar adentro, reduzindo de forma significativa o impacto direto na zona de banhos.
Paralelamente, decorre neste verão um projeto-piloto inovador, coordenado por investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, que visa aprofundar o conhecimento sobre os episódios de contaminação e contribuir para a formulação de soluções técnicas eficazes e sustentáveis.
A preservação da qualidade da água na Praia de Matosinhos depende também da colaboração ativa da população. Pequenos gestos no dia a dia podem ter um grande impacto na saúde e sustentabilidade da nossa costa:
1. Evitar descargas ilegais
Sensibilizar quem realiza obras ou alterações em edifícios para não ligar águas residuais à rede pluvial e esclarecer os impactos dessa prática.
2. Não despejar resíduos, óleos ou produtos químicos em sumidouros
Muitos cidadãos desconhecem que os sumidouros urbanos podem drenar diretamente para as ribeiras e praias.
3. Colaborar com as autoridades
Reportar situações anómalas, como odores fortes, resíduos em ribeiras ou escorrências invulgares.
4. Reduzir a alimentação de gaivotas
Evitar deixar restos alimentares na praia ou alimentar diretamente as aves, pois a sua presença excessiva contribui para a contaminação microbiológica.
5. Adotar boas práticas nas praias
Não deixar lixo, evitar o uso de plásticos descartáveis e recolher beatas de cigarro.
6. Participar em ações de sensibilização e limpeza
Envolver-se em iniciativas educativas e comunitárias reforça o espírito cívico e contribui para um ambiente mais saudável.
A Câmara Municipal de Matosinhos reafirma o seu compromisso com a qualidade ambiental, a segurança balnear e a transparência da informação, atuando com rigor técnico e responsabilidade ambiental na proteção das zonas costeiras do concelho.

