
Programa público “Hours For What We Will” reuniu atividades participativas distribuídas entre Matosinhos e o Porto, uma conversa sobre o papel cívico do design e momentos de partilha entre comunidade, designers e instituições
A Porto Design Biennale assinalou hoje o encerramento da exposição principal da sua 4.ª edição com um programa público especial intitulado “Hours For What We Will”, um dia inteiro de atividades distribuídas entre Matosinhos e o Porto, pensado como um percurso coletivo de encontro, escuta e partilha.
Ao longo do dia, o público foi convidado a participar num conjunto de iniciativas que exploraram diferentes formas de relação entre o design, a comunidade e o território, tendo como fio condutor o livro “Time is Present – Designing the Common”, apresentado como parte integrante de um processo mais amplo de reflexão e prática colaborativa desenvolvido no âmbito desta edição da Bienal.
O programa começou logo pela manhã, na Praia do Marreco, em Matosinhos, com GATHER, uma sessão de recolha de algas orientada por investigadores do CIIMAR, aproximando os participantes das dinâmicas ecológicas da costa e do potencial do design na relação com os ecossistemas.
Seguiu-se, na Casa do Design, a atividade STAND + PLAY, que incluiu uma visita guiada à exposição O TEMPO É PRESENTE. Inventar o Comum, conduzida pelas curadoras Angela Rui e Matilde Losi, bem como a iniciativa “Brinca com e na cidade”, desenvolvida em colaboração com o Serpentina.
Ao início da tarde, a instalação de poemas sónicos criada por Filipe Lopes e estudantes do Instituto Politécnico do Porto marcou o momento LISTEN + SHARE, acompanhado por um almoço comunitário servido pela ACISJF, reforçando a dimensão de convivência e partilha que atravessou todo o programa.
Pelas 15h00, uma a conversa dedicada à reflexão sobre como o design pode evoluir de evento cultural para instrumento cívico, promovendo responsabilidade partilhada, envolvimento público e transformação urbana a longo prazo.
A sessão contou com a participação do vereador da Cultura da Câmara de Matosinhos, Fernando Rocha, e do vereador da Cultura da Câmara do Porto, Jorge Sobrado, que sublinharam a importância do design enquanto ferramenta estratégica para a construção de cidades mais participativas e sustentáveis. A conversa reuniu ainda Angela Rui, Matilde Losi, Eleonora Fedi, Alastair Fuad-Luke, Patrícia Costa e Maria João Macedo, com moderação de Julia Albani.
O encerramento das atividades decorreu já no Porto, com o momento LOVE, no Restaurante Solidário da Baixa – New Diner. A equipa da Porto Design Biennale entregou novos livros à biblioteca comunitária do projeto e promoveu uma sessão de “Discos Pedidos”, convidando os participantes a trazer um livro de casa para doação. O gesto simbólico reforçou a ideia de partilha de conhecimento e de cuidado coletivo.
No centro deste programa esteve também o lançamento de “Time is Present – Designing the Common”, simultaneamente publicação e arquivo vivo da 4.ª edição da Porto Design Biennale. Composto por sete fanzines, o livro percorre o caminho desde os Happisodes — intervenções participativas de design com curadoria de Angela Rui no Porto e em Matosinhos — até às mais de sessenta obras e práticas culturais emergentes apresentadas na Casa do Design.
Cada fanzine relaciona-se com um dos núcleos expositivos — STAND, LOVE, LISTEN, HEAL, GATHER, PLAY e SHARE — reunindo entrevistas, ensaios visuais, receitas, protocolos de design e propostas de reflexão que convidam os leitores a imaginar o tempo como uma condição partilhada e generativa.
O livro estará disponível, a partir da próxima semana, para aquisição por fascículos — associados aos Happisodes — ou em coleção completa na Casa do Design, no Exploratório e na ESAD Matosinhos, bem como na loja online da esad-idea em https://tinyurl.com/BookPDB25
A partir de abril, passará também a integrar uma seleção de livrarias nacionais e internacionais.

