Conteúdo atualizado em28 de outubro de 2026às 12:08

Aquisição de obra assinala 50 anos da morte do pintor matosinhense
Cumprem-se hoje 50 anos da morte de Augusto Gomes, um dos pintores mais estreitamente ligados à identidade de Matosinhos e um dos expoentes máximos e introdutores do Neorrealismo em Portugal. Para assinalar a data, a Câmara Municipal de Matosinhos anuncia a aquisição de 'Mulher desesperada II', óleo sobre tela, com as dimensões 85cm x 103cm, e data desconhecida.
A obra passa a integrar a coleção municipal, que reúne o maior núcleo público de obras do artista. Esta recente aquisição é uma das imagens mais fortes do universo do pintor, que pintou o quotidiano das mulheres da sua terra natal de forma dramática, em cores surdas. Evoca o luto e as tragédias que o mar impunha às famílias de pescadores de Matosinhos. A historiadora de arte Laura Castro descreveu esta faceta do pintor como uma pintura que narra a tragédia, no título do catálogo da retrospetiva organizada pela Câmara em 2000.
Augusto de Oliveira Gomes nasceu em Matosinhos a 12 de julho de 1910 e morreu na mesma cidade a 28 de outubro de 1976. Estudou na Escola de Belas-Artes do Porto, onde mais tarde foi professor durante mais de quinze anos. A sua obra percorreu a pintura, o fresco, a cerâmica, o vitral, a tapeçaria, a gravura e a cenografia.
Os pescadores, as mulheres e o quotidiano da comunidade piscatória de Matosinhos foram o grande tema da sua obra. Pintou-os com uma força serena e uma economia de formas que o tornaram o grande cronista visual desta terra em meados do século XX. A sua obra esteve também presente no espaço público, do Posto de Turismo de Matosinhos no Mercado, aos frescos da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Porto.
“Com esta aquisição, a Câmara Municipal reafirma o compromisso de preservar e divulgar a obra de um artista que fixou, como poucos, a memória de Matosinhos”, como refere o Vereador da Cultura, Fernando Rocha.