
Especialistas abordam o papel dos municípios na proteção das populações
A antiga fábrica Vasco da Gama, em Matosinhos, acolheu, esta manhã a sessão pública “Fenómenos Extremos e Saúde Humana”, promovida pelo Pacto Climático Europeu, pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), pela Comunidade Lidera e pela Câmara Municipal de Matosinhos, no âmbito das comemorações do Dia Europeu das Vítimas da Crise Climática.
A iniciativa reuniu especialistas das áreas da saúde pública, sustentabilidade e políticas climáticas, bem como representantes do poder local, para refletir sobre os impactos dos fenómenos climáticos extremos na saúde humana e apresentar soluções concretas de prevenção e adaptação. O encontro ficou igualmente marcado pelo lançamento do Guia para os Incêndios Florestais e Saúde Humana, um documento nacional que reúne recomendações para minimizar os efeitos dos incêndios na saúde das populações.
A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, destacou a importância da ação local na resposta aos desafios climáticos, sublinhando a necessidade de reforçar a articulação entre municípios, instituições de saúde, universidades e entidades europeias para proteger as comunidades dos impactos crescentes das alterações climáticas.
O evento integrou ainda a apresentação pública de um apelo dirigido à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), através do qual os Embaixadores do Pacto Climático Europeu em Portugal defendem uma maior mobilização das autarquias para proteger as populações dos efeitos dos incêndios florestais na saúde.
O documento, enviado ao presidente da ANMP, Pedro Pimpão, identifica cinco áreas prioritárias de intervenção municipal: a avaliação do risco com base em dados, o reforço dos planos municipais de saúde pública, o investimento na prevenção comunitária, a melhoria da coordenação com o Serviço Nacional de Saúde e o recurso a financiamento europeu destinado à adaptação climática.
Entre as medidas propostas destacam-se a identificação e acompanhamento das populações mais vulneráveis, a criação de protocolos específicos para situações de exposição ao fumo dos incêndios, a evacuação de pessoas com doenças crónicas e o reforço do apoio psicossocial às comunidades afetadas.
A apresentação do novo Guia para os Incêndios Florestais e Saúde Humana do Conselho Português para a Saúde e Ambiente constituiu um dos momentos centrais da iniciativa. O documento pretende servir de referência para cidadãos, profissionais de saúde e decisores políticos, reunindo recomendações práticas de prevenção, preparação e resposta aos incêndios florestais.
Foram igualmente apresentadas recomendações inseridas no Guia para as Ondas de Calor, fenómeno cuja frequência e intensidade tem aumentado em consequência das alterações climáticas.
A iniciativa inseriu-se nas comemorações europeias do Dia das Vítimas da Crise Climática, assinalado a 15 de julho sob o lema “Construir Resiliência para Proteger Pessoas e Comunidades”, reforçando a importância da prevenção, do ordenamento do território e da cooperação institucional como pilares fundamentais da ação climática.
A realização desta sessão em Matosinhos reforça o posicionamento do município como uma referência nacional na promoção de políticas de sustentabilidade e adaptação climática, numa altura em que a proteção da saúde pública se assume como uma das principais prioridades perante os desafios colocados pela crise climática.
