Conteúdo atualizado em13 de outubro de 2026às 14:50

Prémio valoriza a experiência da viagem e o contacto com diferentes realidades como ferramentas de enriquecimento da cultura arquitetónica
A arquiteta Inês Carneiro venceu a 22.ª edição do Prémio Fernando Távora, com a proposta de viagem de investigação “Arquiteturas do Cosmos: Interface com a Física”. O anúncio foi feito ontem, ao final da tarde, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, numa cerimónia que contou com a presença do vereador da Cultura, Fernando Rocha.
A proposta vencedora prevê uma viagem ao deserto do Atacama, no Chile, para estudar grandes estruturas dedicadas à observação do cosmos, incluindo observatórios astronómicos e complexos científicos. O objetivo é explorar a relação entre arquitetura, ciência e reflexão sobre o lugar do ser humano no universo.
O júri destacou a dimensão humanista e filosófica do projeto, que propõe analisar estas estruturas não apenas enquanto instrumentos científicos, mas também como expressões arquitetónicas, culturais e políticas.
Nesta edição, foram apresentadas 28 candidaturas, tendo o júri selecionado quatro propostas para análise, subordinadas ao tema da habitação. O painel foi constituído pelo chef Rui Paula, como personalidade de referência cultural externa à arquitetura, pelos arquitetos António Cerejeira Fontes, em representação da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos, Andrea Soutinho, indicada pela Fundação Marques da Silva, Pedro Ramalho, indicado pela Casa da Arquitetura, e Pedro Távora de Magalhães Basto, designado pela família de Fernando Távora.
Criado em 2005, o Prémio Fernando Távora homenageia o arquiteto e pedagogo que marcou várias gerações de profissionais. A iniciativa distingue anualmente uma proposta de viagem de investigação apresentada por arquitetos inscritos na Ordem dos Arquitetos, atribuindo uma bolsa de 6.000 euros.
Mais do que apoiar uma deslocação, o prémio procura valorizar a viagem e a observação direta como ferramentas de investigação, aprendizagem e enriquecimento cultural, incentivando o contacto com diferentes realidades arquitetónicas, históricas e territoriais. Esta abordagem dá continuidade ao pensamento de Fernando Távora, que considerava a experiência no terreno uma componente fundamental da formação e da prática da arquitetura.