
Cinco dias de música, tradição e cultura
Entre 26 e 30 de agosto, o Largo do Souto, em Custóias, foi palco de mais uma edição da Feira dos Moços, iniciativa que reuniu milhares de visitantes em cinco dias marcados pela música, pelo convívio, pela gastronomia, pelo artesanato e pela evocação das memórias de uma das mais antigas tradições da freguesia.
Com entrada livre, o programa apresentou uma ampla diversidade de propostas, desde a música tradicional e popular ao fado, às concertinas, aos cantares polifónicos, às danças tradicionais, ao folclore e ao teatro. A recriação da história da Feira dos Moços, a representação de ofícios, o artesanato, as tasquinhas e as várias iniciativas de animação contribuíram igualmente para recriar o ambiente característico deste certame.
Pelo palco passaram nomes como Augusto Canário & Amigos, Nuno Ribeiro, Bandidos do Cante, entre outros artistas e grupos.
Ontem, domingo, a missa campal reuniu a população e contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, e do presidente da Junta de Freguesia de Custóias, Júlio Lourenço.
A Feira dos Moços tem origem numa tradição herdada do século XIX e está associada às antigas relações de trabalho entre proprietários e trabalhadores rurais. Num tempo em que muitos homens procuravam trabalho sazonal, os chamados «moços» deslocavam-se às feiras e aos largos para oferecer a sua força de trabalho e procurar novas oportunidades.
Em Custóias, existiram diversas feiras, entre as quais a conhecida Feira dos Moços de Lavoura, que se realizava duas vezes por ano: na primavera, para a contratação de trabalhadores para a época de verão, e em novembro, para os trabalhos de inverno.
Segundo a tradição, em 1842 a feira foi transferida para o Largo do Souto, depois de anteriormente se realizar no Padrão da Légua. À feira acorriam trabalhadores de várias regiões, em particular do Douro e do Minho, muitos dos quais chegavam a Custóias com poucos bens e, por vezes, com instrumentos musicais, à procura de melhores condições de vida.
Depois de alcançado um acordo entre patrão e trabalhador, a celebração podia continuar numa taberna, onde era pago o chamado «cabrita», uma tradição associada ao bacalhau frito ou à isca de bacalhau e que simbolizava o entendimento alcançado.
Hoje, a Feira dos Moços já não desempenha a função original de contratação de trabalhadores rurais, mas preserva e celebra a memória dessa história. O certame transformou-se num espaço de valorização do artesanato, das associações, dos grupos etnográficos e das expressões culturais e artísticas do concelho e do país.
