
Do seu legado sobressai a coautoria do projeto da requalificação do Teatro Constantino Nery
O arquiteto Sérgio Fernandez (1937–2026) faleceu, aos 89 anos, deixando um legado incontornável na arquitetura portuguesa contemporânea, com particular expressão no concelho de Matosinhos, onde assinou, em coautoria, a requalificação do Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery.
Professor Emérito da Universidade do Porto, Sérgio Fernandez destacou-se ao longo de várias décadas como arquiteto, docente, investigador e ensaísta, sendo reconhecido pela sua abordagem sensível à relação entre arquitetura, território e comunidade. Figura discreta e profundamente generosa, foi amplamente respeitado pela sua dedicação ao ensino e pela partilha de conhecimento.
Natural do Porto, onde nasceu em 1937, formou-se na Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), iniciando desde cedo uma carreira marcada pela reflexão crítica e pela participação nos principais debates da arquitetura. Ao longo do seu percurso académico, lecionou na ESBAP e, posteriormente, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), onde desempenhou diversos cargos de relevo e se jubilou em 2006 como Professor Agregado.
A partir da década de 1960, Sérgio Fernandez desenvolveu uma vasta obra, frequentemente em coautoria, marcada pela atenção ao contexto social e cultural e por uma arquitetura pensada como espaço de encontro e comunidade.
Em colaboração com Alexandre Alves Costa, com quem fundou o Atelier 15, assinou diversos projetos de reabilitação e valorização do património construído, entre os quais o Cinema Batalha, no Porto, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, ou intervenções em Idanha-a-Velha.
Em Matosinhos, Sérgio Fernandez deixou uma marca particularmente relevante através do projeto de requalificação e adaptação do Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, desenvolvido em parceria com o arquiteto Alexandre Alves Costa e inaugurado em 2008.
Esta intervenção devolveu vida a um edifício histórico, transformando-o num equipamento cultural de referência no concelho, conciliando a preservação patrimonial com as exigências contemporâneas de um espaço de criação e fruição artística. O projeto é exemplar da sua abordagem à reabilitação do edificado, onde o diálogo entre passado e presente assume um papel central.
Em 2009, Sérgio Fernandez foi distinguido com o Prémio AICA 2008 – Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura, juntamente com Alexandre Alves Costa, reconhecendo a qualidade das suas intervenções e o contributo para a valorização do património arquitetónico.
Foi ainda agraciado, em 2011, com o título de Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos, distinção que sublinha o seu papel determinante na afirmação da arquitetura portuguesa e no ensino da disciplina.
Para além da prática profissional, Sérgio Fernandez destacou-se também como autor e investigador, sendo a sua obra “Percurso da Arquitectura Portuguesa 1930-1974” uma referência fundamental para o estudo da história da arquitetura em Portugal.
A Câmara Municipal de Matosinhos apresenta as mais sentidas condolências à família e amigos, reconhecendo o contributo ímpar de Sérgio Fernandez para a arquitetura e para a valorização cultural do concelho.

