
Foi ainda apresentada a programação para 2026
A Casa da Arquitectura apresentou ontem publicamente a sua nova identidade gráfica e a programação cultural para 2026, num momento que assinala uma nova fase na afirmação da instituição enquanto plataforma de referência nacional e internacional na reflexão sobre arquitetura, cidade e território.
A sessão contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro.
O primeiro grande momento acontece a 17 de abril, com a inauguração da exposição “Lúcio Costa Arquivo”, dedicada ao arquiteto brasileiro Lúcio Costa, autor do Plano-Piloto de Brasília. Com curadoria de Ana Vaz Milheiro, esta mostra apresenta, pela primeira vez na Europa, os originais deste projeto urbanístico, integrados no vasto espólio documental doado à instituição há cinco anos. A exposição estará patente até setembro e permitirá ao público conhecer de perto o processo criativo de uma das figuras centrais da arquitetura moderna, mentor de nomes como Oscar Niemeyer.
Ao longo do ano, a programação expositiva prossegue com várias propostas que refletem diferentes abordagens à arquitetura contemporânea.
Em maio, a Galeria da Casa acolhe “Afinidades Líquidas: para uma nova cartografia da arquitectura portuguesa”, com curadoria de Paulo David, centrada nas novas gerações e práticas emergentes.
Já em outubro, será inaugurada “Plataforma Cidade”, com curadoria de Inês Lobo e Manuel Salgado, dedicada aos instrumentos de desenvolvimento urbano em Portugal entre 1998 e 2023.
O ciclo expositivo encerra, em novembro, com “Do Arquivo II: Luís Ferreira Alves”, com curadoria de Paulo Catrica, focada no trabalho do fotógrafo que documentou algumas das mais relevantes obras da arquitetura portuguesa nas últimas décadas.
Para além das exposições, a Casa da Arquitectura promove um conjunto alargado de eventos de dimensão nacional e internacional. Entre os destaques está a 11.ª edição do Open House Porto, nos dias 4 e 5 de julho, com curadoria de Maria de Souto de Moura e Francisco Ascensão, que envolverá os municípios de Matosinhos, Maia, Porto e Vila Nova de Gaia, abrindo ao público mais de 60 espaços.
Em outubro, realiza-se a 4.ª edição do SHIFT — Seminário Internacional de Arquitectura e Sustentabilidade, com curadoria de Fernando Mello Franco, reunindo especialistas das áreas da arquitetura, indústria, investigação e políticas públicas, com enfoque na resiliência dos territórios. No mesmo mês, a instituição acolhe, pela primeira vez, o Congresso Internacional de Críticos de Arquitectura (CICA), centrado na reflexão sobre o papel da crítica num contexto global marcado por desafios sociais e ambientais.
A programação inclui ainda o lançamento de um novo concurso para dez bolsas de doutoramento nas áreas de Arquitetura, Urbanismo e Território, financiadas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com candidaturas abertas entre 25 de março e 14 de maio, privilegiando projetos que explorem os acervos da instituição.
Entre as iniciativas previstas destaca-se também a abertura ao público da Casa Roberto Ivens, antiga residência da família de Álvaro Siza, integrada na estratégia municipal “Siza é Daqui”, reforçando a valorização do património arquitetónico local.
A par da apresentação da programação, foi também revelada a nova identidade gráfica da instituição, desenvolvida pelo Studio Eduardo Aires. Segundo o Diretor-executivo, Nuno Sampaio, esta renovação traduz “uma linguagem contemporânea que acompanha a maturidade institucional” da Casa da Arquitectura, que se prepara para assinalar, em 2027, uma década do seu atual ciclo.

