Conteúdo atualizado em12 de junho de 2026às 14:45

Luísa Salgueiro alerta para situação grave na praia e apela à intervenção do Governo ainda durante a época balnear
A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos esteve ontem na praia de Angeiras, onde realizou uma conferência de imprensa para alertar para a situação considerada grave naquele local balnear e exigir a reposição urgente de areia.
Luísa Salgueiro criticou a falta de resposta do Governo aos sucessivos pedidos da autarquia, sublinhando que a situação se tem vindo a agravar desde a construção do quebra-mar do Portinho de Angeiras, uma obra inicialmente reivindicada para reforço da segurança dos pescadores.
Segundo a autarca, após essa intervenção, verificou-se “um assoreamento das praias a norte e uma forte erosão das praias a sul”, situação que considera preocupante não só do ponto de vista ambiental e balnear, mas também pela ameaça a importantes vestígios arqueológicos existentes na zona, nomeadamente os tanques romanos de salga, que se encontram atualmente em risco de exposição e degradação.
A presidente da autarquia alertou que estes vestígios arqueológicos, associados à ocupação romana do território, estão cada vez mais expostos devido à erosão costeira, o que poderá comprometer a sua preservação e integridade.
Luísa Salgueiro recordou ainda que a Câmara Municipal tem vindo a alertar o Governo desde 2022, através de várias comunicações formais, reiteradas em 2024 e este ano, sem que tenha existido uma resposta efetiva para a resolução do problema.
A presidente da Câmara referiu também o estudo encomendado pelo município ao investigador Renato Henriques, da Universidade do Minho, que, de acordo com a autarca, demonstra uma relação direta entre a construção do quebra-mar e a erosão registada na praia.
A autarca lamenta ainda a posição da Direção-Geral dos Recursos Marítimos (DGRM), que terá considerado não existir nexo de causalidade entre a obra e a erosão, contrariando a posição defendida pelo município.
“Se compararmos o que existe hoje com o que existia em 2020, há uma alteração profunda que põe em causa não só a existência da própria praia, mas também de todo o importante ativo arqueológico”, afirmou Luísa Salgueiro.
A presidente da Câmara de Matosinhos apela agora à intervenção urgente do Governo, nomeadamente da ministra do Ambiente, defendendo que a situação não pode continuar a ser ignorada e que as praias de Matosinhos devem ter o mesmo tratamento que outras zonas do país.