GERARDO RUEDA E A FUNDAÇÃO GERARDO RUEDA

Representado nos principais museus do mundo, o famoso pintor e escultor espanhol Gerardo Rueda (1926-1996) teve um percurso artístico que o fez percorrer o cubismo, o informalismo, ou o neoconstrutivismo. Paralelamente à sua produção artística Gerado Rueda foi igualmente responsável pela organização de várias coleções privadas e institucionais, de que são exemplos significativos a do Museu de Arte Abstracta de Cuenca, de que foi fundador, impulsionador e um dos grandes dinamizadores, e a da Fundacíon Juan March, em Madrid.
Como artista plástico e como organizador de coleções, o seu percurso pessoal e profissional levou-o, também, a contactar com um grande número de artistas e de obras com que, não raras vezes, e com a frequente visita a antiquários, foi constituindo a sua coleção pessoal, ultrapassando largamente um milhar de obras. Uma coleção que é, hoje, considerada como uma das maiores e mais significativas coleções de arte contemporânea da Península Ibérica, emparceirando igualmente entre as de maior destaque na Europa.
Dez anos após a sua morte, em 2006, e por iniciativa do seu filho Jose Luis Rueda, herdeiro universal e proprietário da coleção, foi criada a Fundação Gerardo Rueda (desde então e até ao presente por si presidida), com o objectivo de permitir que este vasto acervo, testemunha privilegiada das dinâmicas culturais e artísticas do último século, esteja acessível à contemplação e ao usufruto público. Nesse sentido a Fundação, sediada na capital espanhola, enveredou, entre outras, por uma estratégia de constituição de galerias/núcleos expositivos em diferentes cidades (Matosinhos vem agora juntar-se a Madrid e Valência), entre as quais vão itinerando as exposições.
A FUNDAÇÃO GERARDO RUEDA E MATOSINHOS
As relações oficiais entre a Fundación Gerardo Rueda e a Câmara Municipal de Matosinhos tiveram início em maio de 2011 com a assinatura de um contrato de colaboração que, desde então, permitiu já a realização no verão passado, na Galeria Municipal de Matosinhos, da exposição Diálogos com a Fundación Gerardo Rueda (uma pequena mostra da vasta coleção da fundação) e a idealização, que agora se concretiza, da criação do Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda em Matosinhos que passará a albergar permanentemente uma mostra muito significativa do acervo desta instituição espanhola (cerca de 450 obras entre as expostas e as colocadas em reserva).
A curto prazo, e ainda na sequência do contrato estabelecido, várias das peças artísticas de maior valor da coleção municipal de Matosinhos, com destaque num primeiro momento para telas de António Carneiro e Augusto Gomes, viajarão até Madrid para aí serem expostas e divulgadas. Matosinhos contribui assim, e de um modo significativo, para uma efetiva internacionalização da arte e dos artistas portugueses, ao mesmo tempo que lança pontes de diálogo e de uma cooperação cultural ibérica.
O CENTRO DE ARTE MODERMA GERARDO RUEDA – MATOSINHOS (CAM)
O espaço no qual, após uma profunda intervenção de requalificação, se instala agora o Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda (CAM), possui já um grande e relevante historial no campo das artes plásticas no Norte de Portugal. Espaço subterrâneo do edifício dos Paços do Concelho, foi originalmente concebido como a garagem do primeiro grande edifício público construído em Portugal após a revolução do 25 de Abril de 1974 – uma obra de um dos nomes maiores da escola de arquitectura do Porto, Alcino Soutinho, que aqui plasmou arquitectonicamente muito dos ideais do Poder Local do nosso regime livre e democrático. Uma garagem que nunca funcionou como tal e que, transformada na “Galeria Nave”, durante largos anos se assumiu como um dos espaços expositivos mais dinâmicos e qualificados da Área Metropolitana do Porto.
Mais recentemente, a abertura da Galeria Municipal, pensada e construída de raiz com tal objetivo, a que se seguiu a regeneração da histórica sala de espetáculos da cidade (o Cine-Teatro Municipal Constantino Nery), acabaram por relegar a Galeria Nave para segundo plano. Mas as suas potencialidades, a sua centralidade, a sua dimensão, o seu “historial”, permaneceram atuais e, por isso, para a “Nave” a Autarquia equacionou diversas funcionalidades culturais, preferencialmente em projetos de parceria. Entre todas as hipóteses estudadas emergiu notoriamente a possibilidade de aqui se instalar o primeiro núcleo fora de Espanha da Fundación Gerardo Rueda que, para lá da sua sede em Madrid, vem desenvolvendo uma política na gestão das coleções que passa pela sua circulação através de diversos núcleos. O de Matosinhos permitirá não só observar um conjunto muito significativo de importantes obras de arte contemporânea mundiais, mas possibilitará também um interessante diálogo com essas peças através da dinâmica dos serviços educativos que, regularmente, assegurarão visitas guiadas, ateliês e conferências, vocacionadas para diferentes tipos de público.
HORÁRIOS E TARIFAS
O CAM está aberto de 3º feira a domingo, das 13 às 19h. O ingresso custa 3,5€ (entrada livre ao domingo).
AS EXPOSIÇÕES DO CAM
No espaço do CAM desenvolvem-se 3 exposições/ núcleos expositivos:
- uma antológica do próprio Gerardo Rueda, composta por 16 obras, apresentando peças de vários períodos da sua produção, com especial destaque para a última fase. Mas também marcam presença obras do início da carreira, salientando-se os finais dos anos 50, período em que Rueda esteve em representação de Espanha na Bienal de Veneza e obteve o Grande Prémio da Bienal - um mérito, nesse período, de imensa distinção.
- a exposição da Coleção de Arte Moderna Gerardo Rueda, dedicada a uma parte da sua imensa colecção, na qual são expostas cerca de uma centena de obras. Estamos aqui perante um núcleo bastante significativo, pois apresenta das obras mais representativas da sua colecção de arte moderna, não somente espanhola, como internacional, destacando-se nomes como Tápiés, Miró, Fernando Zóbel, Pablo Serrano, Millares, Antonio Saura, e artistas mais recentes, como Susana Solano, Broto, entre outros. Além destes, esta exposição ocupa-se também, da atenção continuada pelo seu filho, José Luis Rueda, de continuidade da coleção do pai, integrando nomeadamente vários nomes de artistas portugueses, como José de Guimarães, Alberto Carneiro, Nikias Skapinakis, Gerardo Burmester, Albuquerque Mendes, e Noronha da Costa, a quem, de resto, neste momento inaugural se dedica uma exposição individual temporária;
- a exposição temporária de Luis Noronha da Costa, constituída por cerca de 30 obras e intitulada ‘Noronha da Costa: a transformação da imagem’. Mostra antológica, combina vários períodos da obra do artista que é, de resto, dos mais representados na Colecção de Arte Moderna Gerado Rueda. No âmbito deste exposição serão lançados dois catálogos sobre a obra de Noronha, e um livro com introdução de Barbara Rosa, uma das maiores historiadoras e críticas de arte da actualidade.
SERVIÇOS
O CAM assegurará serviços educativos que, regularmente, assegurarão visitas guiadas, ateliês e conferências, vocacionadas para diferentes tipos de público. Tais serviços estarão permanentemente disponíveis para visitas e explorações pedagógicas das exposições por parte de grupos (dos diferentes graus de ensino, seniores, famílias) desde que marcado previamente.
O CAM possui também uma loja onde, além de produtos de promoção e divulgação da Fundación Gerardo Rueda e das suas coleções, serão vendidos igualmente catálogos de exposições e livros de arte.
INSTALAÇÕES FUTURAS DO CAM
É intenção já manifestada pela Autarquia de transferir a curto/médio prazo este Centro de Arte Moderna para um outro local histórico e privilegiado da cidade: o edifício industrial da “Real Vinícola”, imóvel recentemente classificado e à volta do qual, no término do século XIX, se começou a operar as profundas transformações económicas e urbanísticas da povoação que, num curto espaço de tempo, evoluiu de uma pacata vila piscatória e rural para uma das mais dinâmicas urbes industriais portuguesas.
Transformada há já várias décadas numa ruína, este imóvel, entretanto adquirido pela Autarquia, localiza-se no coração, da nova cidade de Matosinhos: Matosinhos-Sul - uma vasta área urbana qualificada, das mais procuradas na Área Metropolitana do Porto, com uma população constituída por um número muito significativo de jovens casais. Mas, se é evidente a qualidade dos edifícios e dos arruamentos, a Autarquia entende faltar-lhe ainda projetos âncora, projetos identitários, de proximidade, cumplicidade e de afetividade. Motivo que a leva a desejar uma futura transferiência para esse histórico imóvel do Centro de Arte Moderna. Tal poderá garantir um impacto não só regenerador da ruína e daquele “vazio urbano”, mas também um impacto dinamizador, à semelhança, de resto, do que se vem registando, desde há três anos, junto de uma outra área da cidade, na sequência da profunda reabilitação e consequente e intensa programação do Cine Teatro Municipal “Constantino Nery” .