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Congresso Internacional

Especialistas portugueses e internacionais debatem o Senhor de Matosinhos

12.06.19

O tiro de partida para o primeiro dia do Congresso Internacional do Senhor de Matosinhos foi dado hoje, pelas 15h30, pelo Vereador da Cultura da Câmara de Matosinhos, Fernando Rocha, num Salão Nobre que se encheu de gente para acolher esta primeira edição do certame, mais um dos pontos altos e uma das principais novidades da programação das Festas do Senhor de Matosinhos deste ano.

Fernando Rocha saudou os muitos presentes, realçando a dimensão internacional deste congresso, e dando nesse contexto um enfoque especial à presença da delegação de Congonhas do Campo (Brasil) em Matosinhos. O Vereador da Cultura da Câmara de Matosinhos afirmou “ser uma grande emoção poder levar para a frente este congresso que surgiu numa deslocação a Congonhas, onde existe uma grande comunidade com uma grande vontade em conhecer toda a história do Bom Jesus de Matosinhos, não só do ponto de vista material, mas também histórico e patrimonial, e que mostra como está viva a fé e a devoção ao Senhor de Matosinhos do outro lado do atlântico”.

Recorde-se que nos últimos anos, a Câmara Municipal de Matosinhos encetou esforços diplomáticos com as cidades brasileiras que partilham a devoção pelo Senhor de Matosinhos no sentido de aprofundar e atualizar os acordos de geminação, entre as quais a cidade de Congonhas. A Câmara Municipal de Matosinhos decidiu, então, organizar o 1º Congresso Internacional do Senhor de Matosinhos e incluir este grande evento no programa oficial das Festas da Cidade. Concebido para celebrar a dispersão do culto do Senhor de Matosinhos, o congresso que decorre até 13 de junho, contará com a participação de especialistas portugueses, espanhóis, peruanos e brasileiros, vindos nomeadamente do estado de Minas Gerais, onde existe um grande número de templos dedicados ao Bom Jesus de Matosinhos. O encontro tratará não só destes cultos tributários – em Congonhas do Campo o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos está mesmo classificado como Património Mundial –, mas também de lendas semelhantes à de Matosinhos, como a do Santo Cristo de Ourense.

Joel Cleto, historiador e comissário desta primeira edição do congresso referiu-se à história, quando há 800 anos atrás alguém esculpiu a imagem de Cristo crucificado algures no Sul de França ou na Catalunha, uma imagem fabulosa que alicerçou uma grande devoção dos romeiros e que deu início a esta fortíssima afeição que é a base da maior romaria do norte do país.

“Esta é a realização de um sonho e um momento muito especial e profícuo para partilhar e dividir as experiências do Brasil e aprender muito com vocês e com a forma como se organizam”, revelou o Diretor do Museu de Congonhas, Sérgio Reis, que também marcou presença neste primeiro dia do certame e que aproveitou para anunciar a realização da segunda edição do congresso internacional, no próximo ano, em Congonhas do Campo.

Em representação da Ministra da Cultura, António Ponte, Diretor Regional da Cultura do Norte, salientou e reconheceu o papel que a Câmara Municipal de Matosinhos tem dado ao património cultural e suas diversas aceções, evidenciando que apesar de ser muito importante a formalização da classificação patrimonial, mais importante ainda é o património cultural classificado sentimentalmente pelas pessoas como algo que lhes pertence e lhe confere rigor. António Pontes aproveitou ainda o momento para enaltecer a importância da perpetuação dos laços e a valorização das relações com o outro lado do atlântico.

A Conferência inaugural decorreu na tarde de hoje e esteve a cargo de José Manuel Tedim, Doutorado em História pela Universidade Portucalense, com o tema “De João de Ruão a Nasoni. O Senhor de Matosinhos”.

José Manuel Tedim falou do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e da sua história. A projeção da igreja por João de Ruão, arquiteto nascido no norte de França e que veio viver para Coimbra , os muitos problemas ocorridos na construção da igreja, cuja obra prevista para 4 anos, demorou 20 para estar concluída, a conclusão da obra por Tomé Velho, da escola de Coimbra e discípulo de João de Ruão, a construção da igreja com três naves, as intervenções a nível decorativo dos séculos XVII e XVIII, e o momento em que Nicolau Nasoni foi chamado a intervir na igreja do Bom Jesus de Matosinhos, foram apenas alguns dos assuntos recordados pelo docente na conferência inaugural de hoje.

Para além desta Conferência, o primeiro dia do Congresso Internacional do Senhor de Matosinhos teve outras surpresas.

De acordo com o habitual por altura das Festas do Senhor de Matosinhos, a Câmara Municipal de Matosinhos promove o lançamento do chamado “livro das festas”, uma publicação habitualmente relacionada com a cidade, as suas gentes e tradições.

Este ano não foi exceção, mas entendeu-se proceder a este lançamento no âmbito do Congresso Internacional que, pela primeira vez, se realiza em Matosinhos. Assim, e como manda a tradição no dia de feriado municipal, decorreu também no Salão Nobre da autarquia o lançamento de mais um livro, desta vez da autoria de Joel Cleto, a terceira edição (revista e aumentada) do livro “Senhor de Matosinhos. Lenda. História. Património”.

No lançamento do livro, Fernando Rocha falou das três edições deste e da sua evolução. No lançamento da primeira nem havia internet, na segunda procedeu-se ao lançamento com um cd e hoje, no lançamento da terceira edição, são disponibilizados QR Codes e imagens em 360º. O que poderemos pensar para uma quarta edição?, brincou o Vereador da Cultura da autarquia. Fernando Rocha destacou ainda a capa, um desenho original de Siza Vieira feito propositadamente para este livro, bem como um texto do arquiteto, narrando a sua passagem, na década de 1950, pela comissão de festas do Senhor de Matosinhos.

Júlio Magalhães, responsável pela apresentação do livro, alertou sobretudo para a importância da comunicação com as novas gerações afirmando que este livro agora lançado o entusiasmou pela facilidade de leitura e pela sua nova forma de comunicar: eficaz, simples e tecnológica.

“O Joel e a Câmara Municipal de Matosinhos perceberam que numa era digital em que temos de saber cativar as novas gerações com formas de comunicar atrativas, era importante lançar o livro de forma inovadora. Através de QR Codes e de imagens em 360º graus é possível ler o livro em cerca de 2h30”, salientou.

Na apresentação da terceira edição do seu livro, Joel Cleto referiu-se às principais alterações desta edição revista e aumentada, nomeadamente o restauro a que a imagem foi sujeita, da responsabilidade do restaurador-conservador Alexandre Maniés, a inclusão de uma síntese sobre a história do Senhor de Matosinhos no Brasil e a componente dos QR Codes e das imagens a 360º.

Luísa Salgueiro, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, referiu-se ao Congresso Internacional como “uma das formas de estreitarmos as relações e promovermos em conjunto a devoção e a fé em torno do Bom Jesus de Matosinhos.”

A autarca falou também das razões que a motivaram a editar pela terceira vez o livro “Senhor de Matosinhos. Lenda. História. Património”, desde logo, o sucesso das edições anteriores, o tema, mas também o conteúdo, a forma e as novidades que apresenta. “Não é um livro excessivamente técnico ou científico e permite uma leitura que chega a todos e que o torna atrativo”, salientou.

Coube à Presidente da Câmara de Matosinhos o encerramento do primeiro dia deste Congresso Internacional. “Que forma fantástica de comemorar o dia da nossa cidade. Juntar numa só obra o trabalho de duas grandes figuras de Matosinhos, Joel Cleto e Álvaro Siza Vieira”.

Estiveram ainda presentes na sessão de abertura do congresso e no lançamento do livro das festas da cidade o Bispo do Porto, D. Manuel Linda, a Presidente da Assembleia Municipal, Palmira Macedo, o Vice-Presidente da autarquia, Eduardo Pinheiro, os Vereadores António Correia Pinto, José Pedro Rodrigues, Narciso Miranda, Ana Fernandes, António Parada e Emília Fradinho, e o Presidente da União das Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, Pedro Sousa.

Recorde-se que o congresso decorre até 13 de junho e reúne no Salão Nobre dos Paços do Concelho investigadores, docentes, historiadores, arquitetos, religiosos, nacionais e estrangeiros. Além das palestras, haverá visitas guiadas ao Monumento do Senhor do Padrão, Igreja do Bom Jesus de Matosinhos e Museu da Misericórdia do Bom Jesus de Matosinhos.

Consulte aqui o programa do Congresso.

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