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Rei D. Fernando e Dona Leonor Telles desejam boda discreta em Leça do Balio

Recriação histórica "Hospitalários no Caminho de Santiago" decorre de 10 a 13 de setembro, na zona envolvente ao Mosteiro de Leça do Balio.

14.08.15

Se em 1372 já existisse a chamada imprensa cor-de-rosa, os quiosques estariam cheios de publicações com títulos semelhantes ao desta notícia. E talvez fosse necessário alugar um helicóptero para fotografar a mediática (e impopular) boda. O povo acotovelar-se-ia para tentar ver, nem que fosse por um instante fugaz, os ilustres convidados - nobres, membros do clero e craques saltimbancos -, enquanto as mais belas esposas da realeza desfilariam longos, pesados e elegantes vestidos de cetim, tafetá, organdi e veludo. Visto, porém, que estamos no ano da graça de 1372, tudo será muito menos complicado: D. Fernando e Dona Leonor Telles casarão, como de costume, no Mosteiro de Leça do Balio, em Matosinhos, rodeados dos grandes folguedos da feira medieval “Os Hospitalários no Caminho de Santiago”.

Balbúrdia cronológica à parte, já começou a contagem decrescente para a décima edição de “Os Hospitalários no Caminho de Santiago”, que decorrerá entre os dias 10 e 13 de Setembro, junto ao Mosteiro de Leça do Balio. Aquela que é uma das mais rigorosas recriações históricas que se fazem em Portugal promete muita animação, artesãos trabalhando ao vivo, saltimbancos e malabaristas, guerreiros terçando armas, folguedos diversos, jograis interpretando música a condizer, ordenação de cavaleiros, tabernas ruidosas e até uma comitiva de músicos moçárabes vindos do emirado de Granada (devidamente acompanhados de moças meneando o ventre como na história das mil e uma noites).

A recriação “Os Hospitalários no Caminho de Santiago” conta ainda a particularidade de ter como ponto culminante a encenação do polémico casamento de D. Fernando com Dona Leonor Telles, efetivamente celebrado no Mosteiro de Leça do Balio, em 1372. Este terá sido, aliás, o primeiro casamento romântico da monarquia portuguesa: contrariando os interesses do Estado e as preferências da corte e do povo, o rei D. Fernando desposou Dona Leonor Telles, cognominada “a Aleivosa”. O casal necessitou, porém, de abandonar o paço lisboeta, decidindo unir-se perante deus naquele que era, então, um ponto obrigatório de paragem e descanso para quem rumavam a Santiago de Compostela a fim de venerar as relíquias do apóstolo. O casamento haveria, ainda assim, de dar origem à crise de 1383-1385.

Organizada pela Câmara Municipal de Matosinhos, a feira medieval “Os Hospitalários no Caminho de Santiago” visa promover os Caminhos de Santiago no concelho, bem como divulgar o Mosteiro de Leça do Balio, um dos monumentos mais emblemáticos do Norte de Portugal e sede da Ordem dos Cavaleiros de S. João de Jerusalém do Hospital, por isso conhecidos como “hospitalários”. O local, recorde-se, desempenhou um importante papel na assistência aos peregrinos que demandavam o túmulo do apóstolo Santiago em Compostela, providenciando assistência anímica e médica, e continua, ainda hoje, a ser um local de referência e passagem obrigatória para quem, nesta região, percorre os Caminhos de Santiago, classificados pela UNESCO como Itinerário Cultural da Humanidade. Os caminhos de Santiago são hoje, como no passado, e para lá da sua vocação religiosa, veículos privilegiados de difusão e enriquecimento cultural, artístico e recreativo.

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