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C.M Matosinhos

Tese sobre restauro da imagem do Bom Jesus classificada como Excelente

Alexandre Maniés, autor da tese e responsável pelo restauro, agradeceu todo o apoio que teve da Câmara Municipal de Matosinhos.

17.01.14

“O Crucificado Bom Jesus de Matosinhos. Estudo técnico e restauro de uma escultura medieval”. Este é o nome da tese de Mestrado de Alexandre Maniés sobre restauro da imagem do Senhor de Matosinhos defendida hoje, dia 17 de janeiro, no Pólo do Porto da Universidade Católica e que obteve a classificação de Excelente com a nota quantitativa de 19 valores.

Alexandre Maniés foi o responsável técnico pelo profundo trabalho de consolidação e restauro a que esta escultura foi sujeita entre 2011 e 2013, numa intervenção em larga medida suportada financeiramente pela Câmara Municipal de Matosinhos.

Datada do século XII, a mais antiga imagem de um Cristo crucificado em Portugal encontrava-se em avançado de estado de degradação. “Todas as obras de arte nos podem contar histórias sobre as quais podemos fabular”, defendeu, na altura, o conservador/restaurador Alexandre Maniés.

“Este ato representa uma atenção a um património que é único em todo o mundo. Esta é uma peça essencial não só na devoção, mas também no património”, explicou o Presidente da Autarquia, Dr. Guilherme Pinto.

Os trabalhos de restauro incluíram a realização de exames diagnósticos, como radiografias, TAC, espectrometria de fluorescência de raios x, análise histológica, exames que demonstraram pormenores interessantes como a existência de elementos metálicos oxidados, as infiltrações de humidade, a perda de revestimento decorativo ou o ataque de insetos.

A imagem do Senhor de Matosinhos está associada à lenda que deu origem à romaria. Foi no ano 124 que, segundo a lenda, as águas do oceano depositaram na praia de Matosinhos uma belíssima imagem de Jesus na cruz esculpida, poucos anos antes, por Nicodemos, testemunha privilegiada dos últimos momentos da vida de Cristo.

Recolhida a imagem na praia pela população, constatou-se, contudo, que lhe faltava um dos braços. Por muitos braços que se tenham mandado fazer aos melhores artífices e carpinteiros, nenhum encaixava de forma perfeita no ombro amputado ou, pura e simplesmente, não era similar ao do lado oposto. Cinquenta anos depois, no ano 174, deambulando pela praia, uma pobre mulher recolhe lenha para alimentar a lareira. Em casa, apercebe-se de que um grande pedaço de madeira teimava em, milagrosamente, saltar do fogo sempre que para ele era lançado. A filha, surda-muda de nascença, falou pela primeira vez e disse à mãe tratar-se do braço que faltava à imagem do Senhor guardado no Mosteiro de Bouças, facto que, de imediato, se confirmou. E assim começou a devoção ao Senhor de Matosinhos.

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