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C.M Matosinhos

Castro do Monte Castêlo (Castro de Guifões)

Situado muito próximo da foz do rio Leça, numa zona que, antes da construção do Porto de Leixões era ainda de estuário, o Monte Castêlo ergue-se, na margem esquerda daquele curso fluvial. E, embora não seja a elevação mais próxima da costa, as suas condições estratégicas associadas às características planálticas do seu topo, desde muito cedo fizeram com que fosse local escolhido para a fixação de comunidades humanas. Esta estação arqueológica, também conhecida vulgarmente pelo nome de castro de Guifões, é uma das estações da época da Idade do Ferro/Romanização mais importantes do norte de Portugal.

Os materiais arqueológicos já recolhidos se indiciam por um lado uma origem por volta dos inícios do 1º milénio a.C. revelam também uma longa perduração em época romana.

Devido à sua localização próxima do mar, numa elevação de grande importância estratégica, deverá ter privilegiado, desde muito cedo, a actividade comercial. Na base desta potencialidade está o facto de o estuário do Leça ter sido sempre um porto de abrigo natural e ser navegável, pelo menos, até ao sopé do Monte Castêlo. Ainda no séc. XVI encontramos referências documentais à navegabilidade do estuário do Leça até junto da Ponte de Guifões, no sopé do Monte Castêlo.

A riqueza e abundância dos materiais exógenos já encontrados confirmam esta teoria. A presença de grandes quantidades de ânforas vem confirmar a ideia de que a partir do século II a.C. já o castro de Guifões mantinha contactos comerciais regulares com o sul da Península Ibérica e o mundo mediterrânico.

Devido à sua localização próxima do mar, numa elevação de grande importância estratégica sobre o antigo estuário do Leça terá sido um povoado vocacionado para a exploração de recursos litorais e, de uma forma muito privilegiada, para a actividade comercial. Na base desta sua potencialidade reside o facto da etapa terminal do Leça ter constituído sempre um porto de abrigo natural, graças à cadeia de rochedos que se formava a pouca distância da sua foz (os Leixões), e ao facto do rio ser na época, navegável até ao sopé do monte. A riqueza e abundância de materiais já encontrados no povoado, originários um pouco de todo o Império e da Bacia do Mediterrâneo, reforçam esta teoria. Ainda no séc. V Guifões mantinha contactos intensos com o norte de África patente por exemplo na presença de cerâmicas, que nesta época, eram fabricadas em centros produtores da actual Tunísia. O Castro do Monte Castêlo seria assim o principal entreposto comercial em direcção a outros importantes povoados na bacia do rio Leça, e da região entre Douro e Ave.

O Monte Castêlo terá sido abandonado numa época posterior ao séc. V embora não tenhamos elementos para precisar melhor a data e as razões do seu abandono. Alguns séculos mais tarde, já nos sécs. IX – X, este local aparece referenciado na documentação, à semelhança de outros antigos castros desta região, como Castelo. Terá sido construída nesta época no alto do monte uma pequena fortificação, provavelmente em madeira. Esta ocupação está também comprovada por fragmentos de cerâmicas cinzentas datáveis da Alta Idade Média.

Classificado como Monumento de Interesse Público em 1971 (Decreto 516/71 DG 274 de 22 de Novembro) e, com a publicação do Plano Director Municipal em 1991 foi definida a sua área de protecção.