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C.M Matosinhos
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Em busca do passado remoto de Matosinhos

Terceira campanha arqueológica decorre até 25 de maio no Castro do Monte Castêlo

24.04.18

Esta é uma história com pelo menos dois mil anos: na encosta que vai do Castro do Monte Castêlo ao leito do rio Leça existiu durante o período de ocupação romana um porto comercial onde se crê estarem as raízes remotas de Matosinhos. Os primeiros vestígios desta ocupação foram revelados em 2016 e está agora a decorrer, até 25 de maio, a terceira campanha de escavações arqueológicas no local.

As escavações de 2016 e 2017 revelaram já diversos muros que corresponderiam à existência naquele local de duas casas do tempo do Império Romano, mas também a construções mais antigas. Foram ainda recolhidas, para estudo posterior, numerosos fragmentos de cerâmica e amostras de sementes, os quais deverão dar indicações preciosas para a reconstituição dos diversos aspetos da vivência quotidiana das populações que habitaram este local há cerca de 2000 anos. A grande quantidade de ânforas encontradas tem, por outro lado, evidenciado a diversidade de contactos comerciais deste porto com zonas tão distantes como a Itália ou o norte de África.

Pela importância dos materiais recolhidos, o Castro do Monte Castêlo é um dos sítios arqueológicos mais importantes da região litoral situada entre os rios Douro e Ave. Sob a terra e a vegetação ocultam-se, assim, mil anos de vida quotidiana das populações que aqui se cruzaram com soldados, comerciantes e marinheiros oriundos de outras províncias do império romano, integrando-se progressivamente num novo espaço económico e político de âmbito europeu.

Resultado da colaboração entre a Câmara Municipal de Matosinhos e o Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com o apoio da União de Freguesias de Guifões, Custóias e Leça do Balio e da APDL – Administração do Porto de Leixões, proprietária daquela parcela de terreno, os trabalhos arqueológicos no Castro de Guifões, como também é conhecido, vão dar sequência às escavações realizadas nos dois anos anteriores, procurando trazer à luz novos vestígios da atividade portuária que terá dado origem a Matosinhos.

Integrados nas comemorações do Ano Europeu do Património Cultural e do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, estes trabalhos são parte de um projeto de investigação plurianual, visando a investigação, valorização e divulgação do sítio arqueológico do Castro do Monte Castêlo. Serão realizados como parte integrante do módulo de formação prática em técnicas de escavação arqueológica da licenciatura de Arqueologia da FLUP, contando, assim, com a participação dum grupo de estudantes finalistas desta instituição.

A campanha arqueológica de 2018 tem ainda a particularidade de decorrer no ano em que se assinala os 100 anos do nascimento de Joaquim Neves dos Santos, arqueólogo natural de Guifões e que foi um dos mais incansáveis investigadores e divulgadores deste sítio arqueológico e de outros elementos do património histórico do concelho de Matosinhos. Foi principalmente durante o período entre 1950 e 1970 que os trabalhos realizados por Joaquim Neves dos Santos permitiram um avanço significativo no conhecimento do Castro de Guifões, que se crê ter sido habitado desde antes do século V a.C. até ao século V da era cristã.

No dia 18 de maio terá lugar um Dia Aberto à comunidade, durante o qual o público interessado poderá contactar com os investigadores e usufruir duma visita guiada ao sítio arqueológico. Será ainda dada especial atenção à divulgação deste trabalho junto das escolas do ensino básico e secundário, cujos alunos realizarão também visitas guiadas ao sítio arqueológico.

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