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João Martins da Costa

Obra do artista em exposição no Museu da Quinta de Santiago de 7 de outubro a 28 de janeiro

03.10.17

Um dos acontecimentos mais trágicos no ano de 1947 ocorreu na praia de Matosinhos. Quatro traineiras naufragaram quando se aproximavam da barra de Leixões e, à vista de todos os que desesperavam em terra, afundaram-se nas vagas e arrastaram consigo a vida de 152 pescadores. A memória daquele dia aziago de dezembro de há 70 anos ficou registado em fotografias e também na arte: João Martins da Costa, então um estudante do último ano do curso superior de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto, fixou-o numa tela que apresentou na tese final de curso e que havia de ficar intimamente ligada à memória e ao património artístico de Matosinhos.

“Mar Sagrado – Tragédia marítima de 2 de Dezembro de 1947” é um das mais de quatro dezenas de obras que compõem a exposição “Martins da Costa… [d]aquilo que fica”, que no próximo sábado, 7 de outubro, pelas 17 horas, será inaugurada no Museu da Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira.

Com vocação retrospetiva, a exposição ficará patente até 28 de janeiro e abarca cerca de cinco décadas da produção artística de Martins da Costa, entre a década de 1940 e o final do século XX. A mostra reúne obras dos acervos do Museu Nacional de Soares dos Reis, do Museu da Faculdade de Belas Artes do Porto, do Museu Municipal de Coimbra, da Câmara Municipal de Matosinhos e de alguns colecionadores particulares, incluindo trabalhos de pintura e desenho. Paisagens, autorretratos, naturezas mortas e episódios bíblicos são alguns dos temas patentes nas obras.

Nascido em Coimbra em 1921, João Martins da Costa viveu alguns anos em Matosinhos e conquistou distinções como o Prémio António Carneiro (1948) e o Prémio Henrique Pousão (1950). Bolseiro do Governo Italiano e do Instituto de Alta Cultura, estudou nas escolas de Belas Artes de Roma, Florença e Ravena, onde aperfeiçoou a técnica de pintura mural que lhe permitiu deixar trabalho em vários edifícios emblemáticos, como o Palácio da Justiça do Porto, a Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, o Café Embaixador e a Embaixada de Portugal em Roma.

Durante a cerimónia de inauguração da exposição será ainda apresentado o livro “Contos Vividos”, que reúne um conjunto de textos que João Martins da Costa produziu para o Diário de Penacova, compilados pelo jornalista Álvaro Coimbra e editados pela Câmara Municipal de Penacova. A apresentação estará a cargo do historiador e investigador portuense Hélder Pacheco.

Museu Quinta de Santiago
Rua de Vila Franca, 314, Leça da Palmeira, Matosinhos.
museuqsantiago@cm-matosinhos.pt | Tel: 229392410
Horário Museu e Exposição:
terça a sexta: 10h-13h | 15h-18h
sábados, domingos e feriados: 15h-18h

  • Martins da costa e o homem construiu as montanhas 1971 1 882 600
    Martins da costa e o homem construiu as montanhas 1971 1 139 90
  • Not martins da costa mar sagrado 1948 1 882 600
    Not martins da costa mar sagrado 1948 1 139 90

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