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C.M Matosinhos

“Impalpable” e “La Verdad”: primeiros espetáculos de excelência da cena internacional no Nery!

Ciclo argentino apresenta quatro peças todas legendadas em português.

07.07.14

O Cine-teatro Constantino Nery apresenta este mês quatro espectáculos de excelência da cena internacional, numa co-produção com o 31º Festival de Almada e são todos legendados em Português. Trata-se do Ciclo de Teatro Argentino de Encenadores Consagrados e esta é uma oportunidade única de assistir a peças de elevada qualidade do “novíssimo teatro argentino”.

Na sexta-feira, dia 4 de julho, pelas 21h30, entrou em cena Impalpable. Esta “pérola do teatro alternativo” é baseada em textos de Manuel Puig, autor de “O beijo da mulher-aranha" com encenação de Sergio Calvo e Ignacio de Santis.

Embora integre o conjunto de produções que poderíamos designar por “novíssimo teatro argentino”, Impalpable é a prova de que o novo nem sempre ambiciona a ruptura abrupta com o passado. Por vezes, o novo, o “novíssimo”, prefere assumir a forma de uma releitura destes discursos e proceder à actualização e à multiplicação dos seus sentidos.

Como se lê no jornal La nación, o resultado é excepcional: “Impalpable é uma dessas pérolas do teatro alternativo, uma dessas celebrações da teatralidade e da palavra que nos comovem e modificam. Enfim, uma boa dose de Puig para sabermos que estamos vivos”.

E se a peça de sexta-feira não deixou nenhum dos elementos do público indiferente, a que se apresentou no sábado, dia 6 de julho, foi também uma agradável surpresa deste novo teatro argentino.

La Verdad, uma dramaturgia e encenação de Bernardo Cappa, nasceu de uma ideia modesta que, subitamente, à semelhança da tenda que um dia se montou na sala de ensaios, se agigantou e ganhou forma: dois escritores, que a amizade une mas que a competitividade separa, decidem ir acampar, juntamente com a mulher de um deles. A noite que passam num descampado à beira da estrada reserva-lhes algumas surpresas: quando dois homens surgem, desequilibrando o triângulo que começava a evidenciar contornos amorosos e dizendo que o seu carro avariou e que uma velha actriz, muito conhecida, precisa de chegar ao local das filmagens, a ficção começa, lentamente, a confundir-se com a realidade.

Se não teve oportunidade de assistir a uma destas duas peças, não perca as próximas porque, para além da excelência do espectáculo, são todas legendadas em português e representam uma oportunidade única de tomar contacto com o novo teatro argentino.

11 de Julho às 21h30

Sudado

De Facundo Aquinos, Julián Cabrera, Belén Charpentier, Jorge Eiro, Facundo Livio Mejías e Paul Romero, Encenação Jorge Eiro

Sudado invoca o tema da emigração na sociedade argentina contemporânea. “Suado", em português, alude ao suor do trabalho e ao nome de um típico prato peruano de peixe – apropriado, uma vez que a acção ocorre num restaurante peruano, onde iniciam as obras de remodelação o filho do recém-falecido dono de uma empresa de construção – imediatamente após o velório do pai – e dois operários, um peruano e outro argentino.

13 de Julho às 16h00

Alemania

Dramaturgia e Encenação Nacho Ciatti

Alemania é a história de uma absurda vingança levada a cabo por uma família que já não sabe como ocupar os lugares do amor. É uma história simples, aquela a que os actores dão corpo: mas é simultaneamente profunda, pois oculta uma imagem sincera da realidade argentina.

Os veteranos Iván Moschner e Eugenia Alonso, que sabem explorar a fundo os meandros do texto e da encenação de Ciatti, são fundamentais: “tinha algum medo de trabalhar com eles, mas tudo acabou por acontecer de maneira orgânica. São muito generosos, muito humildes”, afirma o jovem encenador.

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