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C.M Matosinhos

Exposições

[25 de Setembro de 2010 a 20 de Fevereiro de 2011]

100 marés. Augusto Gomes

Comemorações do Centenário do Nascimento o Pintor Augusto Gomes

Pintor matosinhense, Augusto Gomes (1910-1976), destacou-se nas artes plásticas do nosso país em meados do século XX, sendo por vezes ligado ao movimento neo-realista, embora o conjunto da sua obra abarque outros tipos de expressões e correntes. Professor na Escola de Belas Artes do Porto, Augusto Gomes foi também um criador ligado ao teatro, nomeadamente através do Teatro Experimental do Porto e é, há muito, uma das figuras mais emblemáticas da cidade. Não só pelo facto da escola secundária o ter escolhido como patrono, mas também porque Augusto Gomes foi, provavelmente, através das suas telas, o principal cronista da comunidade piscatória de Matosinhos em meados do século XX. Aliás, ainda recentemente, um conjunto escultórico, inspirado na sua obra, colocado no areal de Matosinhos, rapidamente se tornou num dos elementos mais icónicos da cidade.

Assinalando a efeméride, a Câmara Municipal de Matosinhos, que é o maior coleccionador deste criador e que tem privilegiado na sua política de aquisições as obras deste pintor, está a desenvolver um intenso programa de actividades, em parceria com a Escola Secundária Augusto Gomes (ESAG), o Teatro Experimental do Porto a Escola Básica do 1º Ciclo/JI Augusto Gomes.

Do programa das comemorações faz parte este conjunto de quatro exposições, a inaugurar em 25 de Setembro. Nestas mostras serão apresentadas as obras do artista que fazem parte da colecção municipal (a decorrer na Galeria Municipal de Matosinhos e no Museu da Quinta de Santiago), a sua relação com o teatro, nomeadamente com o Teatro Experimental do Porto (no átrio do Cine Teatro Municipal Constantino Nery, fundamentalmente com obras do espólio do TEP, mas também algumas da Câmara Municipal) e uma retrospectiva das obras que, ao longo dos últimos 29 anos, venceram o Prémio Augusto Gomes (na Galeria Nave, em colaboração com a Escola Secundária Augusto Gomes).

As actividades comemorativas arrancaram já há alguns meses, durante as Festas de Matosinhos, tendo já sido realizadas, entre outras, a apresentação de uma peça teatral inspirada na vida e obra do mestre, encenada e representada por alunos da Escola EB1/JI Augusto Gomes. Posteriormente, no início do Verão, foram colocados nalguns pontos da cidade e do concelho lonas de grandes dimensões, actualmente ainda expostas, produzidas por alunos das duas escolas (básica e secundárias) que têm a designação de Augusto Gomes, baseadas nalguns dos mais famosos quadros do pintor.  Do programa de comemorações consta ainda a realização de conferências, edição de livros, instalações e produção de materiais comemorativos.

 

[18 de maio a 04 de setembro de 2010]

Ecce Homo, António Carneiro

Viagem ao mundo místico e simbólico de António Carneiro, com paragem obrigatória em Leça da Palmeira

No ano em que se comemora o octogésimo aniversário do falecimento do pintor e poeta António Carneiro (1872-1930) – 2010, a Câmara Municipal de Matosinhos decidiu levar a cabo, no Museu da Quinta de Santiago, uma exposição retrospectiva da vida artística deste grande nome da história da arte portuguesa.

No dia Internacional dos Museus, 18 de Maio de 2010, inaugurou, no Museu da Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira, a exposição de pintura “Ecce-Homo. António Carneiro”.

A mostra retrospectiva integra-se nas comemorações levadas a cabo pela C.M. Matosinhos, no âmbito do octogésimo aniversário da morte do artista.

António Carneiro (1872-1930), foi um célebre pintor simbolista e também poeta que, embora tenha nascido em Amarante e vivido grande parte da sua vida na cidade do Porto, teve uma apaixonada ligação a Leça da Palmeira, uma vez que passou as férias de Verão nesta localidade de 1906 a 1915. Foi, aliás, em Leça da Palmeira que António Carneiro produziu largas dezenas de marinhas, marcadamente simbolistas e com uma musicalidade e poesia fora do comum para a época.

A exposição conta com cerca de 35 obras, na sua maioria espólio da Autarquia, bem como duas telas da Casa-Museu Teixeira Lopes.

Desenhos a carvão, pastel, água-tinta, sanguínea e um vasto conjunto de óleos de várias temáticas, tais como pintura religiosa, pintura histórica, retrato e paisagem poderão ser apreciados até ao dia 12 de Setembro de 2010.

Para além da exposição a Autarquia promove ateliers de artes plásticas, visitas a espaços museológicos com colecções do pintor e sessões com especialistas na obra de António Carneiro, que “desmontam” as histórias e estórias por detrás dos quadros mais emblemáticos presentes na mostra.

 

[29 de junho de 2009 a 12 de maio de 2010]

Urbevoluções.

Uma nova estratégica nas exposições do museu

A missão do museu assenta, como indicado anteriormente, no papel cultural e pedagógico da arte, nomeadamente como instrumento de salvaguarda da memória colectiva da povoação e como instrumento sensibilizador e formativo da criação artística. Para tal as exposições do museu socorrem-se da vasta colecção de arte da Câmara Municipal de Matosinhos, dando particular destaque a três pintores profundamente identificados com a cidade: António Carneiro: (1872-1930), Agostinho Salgado (1905-1967), e Augusto Gomes (1910-1976).

Durante os primeiros dez anos de existência o Museu da Quinta de Santiago apresentou uma exposição permanente (pontualmente retirada para dar lugar a curtas exposições temporárias) que assentava exclusivamente nas obras destes três criadores.

A reabertura do Museu em 2009, após um interregno de quase dois anos para trabalhos de conservação e ampliação, marca no entanto uma nova estratégia na política de exposições deste espaço museológico. Continuando a ter estes três pintores por pretexto, o museu passará a apresentar exposições de longa duração (sensivelmente um ano) que, além de telas dos referidos pintores, contará com obras de outros artistas repescadas da colecção municipal ou de outras proveniências.

Na reabertura do Museu esta primeira exposição, assente de forma exclusiva na colecção municipal, intitula-se sugestivamente “Urbevoluções” e, através das paisagens imortalizadas nas telas de diversos autores, faz-se uma visita diacrónica e evolutiva das zonas ribeirinhas de Matosinhos e Leça da Palmeira, dos finais do século XIX à segunda metade do século XX.

A 13 de Julho de 1884 tinham inicio as obras de construção do porto de Leixões (projecto do Eng.º Nogueira Soares). Durante as décadas seguintes, e muito especialmente entre 1932 a 1953, a edificação desta estrutura portuária, bem assim como todos os arranjos urbanísticos envolventes, acabaram por fazer desaparecer a foz e o estuário do rio Leça e ditar profundas alterações na fisionomia das zonas ribeirinhas de Matosinhos e Leça da Palmeira.

Com a construção das docas de Leixões, que deram lugar ao maior porto artificial do país, desapareceram para sempre quarteirões inteiros, casas, jardins e praças públicas, um antigo mercado, estátuas, capelas, cinco pontes, lavadouros públicos, praias fluviais onde permaneciam dezenas de barcos de pesca artesanal, e muita da memória urbana do que fora Matosinhos desde a Idade Média até ao início do século XX. Estas transformações na paisagem ribeirinha da povoação foram particularmente evidentes entre 1932 a 1940, na sequência da abertura da doca nº 1 (projecto dos Engºs Adolpho Loureiro e Santos Viegas), a que se somaria a edificação do Mercado de Matosinhos entre 1948 e 1953 (projecto ARS- Arquitectos) e os arranjos de acesso à ponte móvel, aberta ao trânsito em 1959. 

Mas o Porto de Leixões não ditou apenas profundas transformações na paisagem ribeirinha. Ele veio, também, contribuir para a grande fixação industrial que se vai operar, a partir de 1899, no até aí extenso e desértico areal do Prado (hoje conhecido por Matosinhos – Sul). Aí, seguindo um projecto de Licínio Guimarães, seria aberto um conjunto de quarteirões e arruamentos ortogonais que, durante quase um século, iriam abrigar uma gigantesca concentração de empresas ligadas ao sector conserveiro. Paralelamente, e aproveitando também as potencialidades portuárias de Leixões, a comunidade piscatória crescia exponencialmente, tornando Matosinhos não só no maior centro conserveiro do país, mas também no maior porto de pesca de Portugal e no maior porto sardinheiro do mundo.

É toda esta história paisagística, demográfica, económica e social que é possível descobrir em “Urbevoluções”.