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C.M Matosinhos

Largo do Mosteiro de Leça do Balio e Parque das Varas

O Sítio

O Mosteiro de Leça do Balio, na margem esquerda do rio Leça, está rodeado a poente por amplo adro lajeado e ajardinado. Sobre este espaço tem-se acesso ao cemitério, Junta de Freguesia de Leça do Balio, Centro Cultural e, no extremo noroeste, existe um pequeno carvalhal. A Norte localiza-se a unidade industrial - UNICER.

O largo tem um declive acentuado pelo que está armado em pequenos terraços ajardinados contidos por muretes. Adjacente ao mosteiro encontra-se a Quinta do Mosteiro, contida por um muro de granito e com o seu portal sobre o adro.

Em contiguidade com a quinta, em direcção a sul, encontram-se as escolas, a casa paroquial e o salão paroquial que, por sua vez, dão sobre um espaço onde pontua um cruzeiro e um conjunto de casas de matriz rural, nomeadamente a Quinta do Souto. Daqui tem-se entrada para o recente projecto do Parque das Varas que se distribui sobre dois patamares orientados sobre o vale do rio. A parte sobre terraço aluvionar da margem esquerda foi ocupada, a partir da entrada junto ao rio por um conjunto de edifícios de apoio, parque infantil e café restaurante estruturados por um corredor pedonal e uma pista de skate/bicicleta, que atravessa todo o terreno paralelamente ao rio, ladeado por um espaço relvado.

Este sítio é naturalmente determinado pela presença do mosteiro e pela evolução do regime de propriedade a que ele foi sujeito assim como pela paisagem de um troço do vale do Leça amplo e com intensa ocupação agrícola. Na margem direita, os campos estendem-se com características semelhantes sendo que o vale é pontuado pela galeria ripícola do rio que corre numa cota inferior aos campos, sustentado por muros de pedra solta em granito. Na margem direita, existe um interessante assento agrícola quase contíguo ao Campo de Santana.

 

Património Cultural

Mosteiro de Leça do Balio, classificado como Monumento Nacional pelo Decreto 16-06-1910, DG 136, de 23-06-1910 ZEP DG (II Série), n.º 24, de 29-01-1958. O mosteiro “(…) é considerado um dos melhores exemplares arquitectónicos existentes no país, de transição do estilo românico para o gótico. Com origem anterior ao séc. X, foi posteriormente (séc. XII) a primeira casa mãe dos Cavaleiros Hospitalários da Ordem de Malta em Portugal. Da construção românica resta apenas, nas traseiras da igreja, uma ala incompleta do claustro, um portal e uma janela com decoração vegetalista. Foi reedificado no séc. XIV, segundo o modelo das igrejas fortaleza. A fachada principal de estilo gótico, com ampla rosácea radiada e rematada por uma cruz da Ordem de Malta, possui torre de menagem de traça românica, coroada de ameias. No interior, dividido em três naves, podemos admirar a capela-mor com abóbada de nervuras, a capela de Nossa Senhora do Rosário ou do Ferro e os túmulos de vários cavaleiros e frades, destacando-se a arca tumular de Frei João Coelho, Grão-Mestre da Ordem, com estátua jacente da autoria de Diogo Pires, o Moço, bem como a pia baptismal, cuja base é decorada por animais exóticos. No exterior, o Cruzeiro é também da autoria do mesmo mestre coimbrão. Foi neste Mosteiro que o rei D. Fernando casou com D. Leonor de Teles.” “Apesar da referência documental mais antiga deste monumento datar do ano de 1003, a fundação deste mosteiro é certamente muito anterior. (…) No séc. XII é doado aos monges-cavaleiros da Ordem de S. João do Hospital, tornando-se assim a primeira sede desta ordem em Portugal. A estrutura gótica do monumento remonta às obras de remodelação e ampliação efectuadas no séc. XIV por iniciativa do Balio D. Frei Estevão Vasques de Pimentel.” “Do mosteiro resta apenas a igreja, de planta cruciforme, ladeada por uma alta torre quadrangular, provida de balcões com matacães, a meia altura e no topo, em ângulo, seteiras, dando à igreja um aspecto de verdadeira fortaleza militar. No seu interior destaca-se, sobre a campa de Frei Estevão Vasques, uma placa de bronze, com diversos motivos decorativos e contendo o epitáfio do defunto em caracteres leoneses. “

Pensa-se que antes teria aqui existido um edifício religioso construído no Século X, embora não existam vestígios desta edificação. Mais tarde, em meados do Século XII, o couto de Leça foi doado, por D. Afonso Henriques, à Ordem do Hospital, tendo no local sido edificado um mosteiro românico, que já não existe. Na primeira metade do Século XIV, foi então construído o edifício hoje existente, através de Fr. Estêvão Vasques Pimentel, que se encontra sepultado diante do altar do Mosteiro. O edifício apresenta três naves, organizadas em cinco tramos, sendo dividida por pilares largos. Possui uma cabeceira tripla, sendo a capela-mor mais profunda que os absidíolos. As naves encontram-se cobertas com madeira e as ogivas da cabeceira apresentam um abobadamento em cruzaria. No exterior, apresenta merlões em volta do edifício, um caminho de ronda e um balcão defensivo sobre o portão principal. A fachada principal é ladeada por uma torre imponente. Constitui uma construção gótica, embora aparente duas correntes artísticas distintas: “o esquema palnimétrico e volumétrico mendicante aplicado às igrejas” e “a máscara de fortificação e de poder que caracteriza exteriormente o edifício”. Trata-se de uma igreja fortificada (ou uma igreja fortaleza), possuindo um duplo carácter militar e religioso. Em volta do edifício encontra-se o adro lajeado e ajardinado, onde se encontram várias sepulturas antropomórficas, assim como pedras esculpidas. Na sua envolvente, encontram-se o cemitério e construções particulares. A Sul, encontra-se o Cruzeiro de Leça do Balio.

 

Património Natural

O Largo do Mosteiro de Leça do Balio é formado por terraços ajardinados com presença de várias espécies vegetais com função ornamental. Na frente do Mosteiro, surgem pontuações de bidoeiros (Betula alba), um tulipeiro (Liriodendron tulipifera), ciprestes (Cupressus sempervirens), sabugueiros (Sambucus nigra), um cedro-do-líbano (Cedrus libani), entre outras espécies. Na quinta do Mosteiro, adjacente ao mesmo, é possível observar-se uma palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), magnólias (Magnolia soulangeana), várias japoneiras (Camellia japonica) e grandes arbustos de rododendros (Rhododendron sp.).

O Parque das Varas está situado bem no centro cívico da freguesia de Leça do Balio, nas traseiras do Mosteiro, sobranceiro ao rio Leça. Está estabelecido num terreno com cerca de 17.000 m2 e distribuído por duas plataformas orientadas sobre o vale do rio. A plataforma superior do parque proporciona um grande espaço verde relvado, onde se encontra um espelho de água recuperado. O parque de estacionamento no terreno está arborizado com diferentes espécies de árvores, designadamente, laranjeiras (Citrus sinensis), carvalhos (Quercus robur), choupos-negros (Populus nigra) e tílias (Tilia sp.).

O muro que delimita o parque desde a entrada sul até à entrada oeste é acompanhado por vinha (Vitis vinifera) e glicínias (Wisteria sinensis). Espécies arbustivas como o folhado (Viburnum tinus) e o alecrim (Rosmarinus officinalis) ladeiam um campo de mini golfe. No relvado surgem também pontuações de tílias (Tilia sp.). O acesso à plataforma inferior, marginal ao rio, é conduzido por um alinhamento de chouposnegros (Populus nigra var. italica). Nesta plataforma, o rio é separado do corredor pedonal, que atravessa todo o terreno, por outro espaço relvado. Surgem aqui várias espécies de árvores, nomeadamente, liquidâmbar (Liquidambar styraciflua), ulmeiro (Ulmus minor), tília (Tilia sp.), bidoeiro (Betula alba) e Robinia pseudoacacia. Na parte norte do parque foram criados canteiros de Gazania linearis e apténias (Aptenia cordifolia). Daqui pode-se observar os campos de cultivo do Mosteiro, com uma horta e várias árvores de fruto. As margens do rio Leça são ladeadas por algumas espécies ripícolas características, como o amieiro (Alnus glutinosa), o salgueiro (Salix atrocinerea) e o freixo (Fraxinus angustifolia), por grandes carvalhos (Quercus robur), por sabugueiros (Sambucus nigra), por loureiro (Laurus nobilis) e por cana (Arundo donax), esta última, uma espécie invasora. Na margem direita do rio Leça a paisagem é formada por assentos agrícolas.

 

Acessibilidade

Via Norte (Porto – Maia). (Sentido S-N).