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C.M Matosinhos

Largo da Igreja do Bom Jesus de Matosinhos e Parque 25 de Abril

O Sítio

Trata-se de uma unidade composta pelo adro da igreja do Senhor de Matosinhos, Parque 25 de Abril, cemitério, espaço de feira/estacionamento, Avenida D. Afonso Henriques e Praça Guilhermina Suggia, abrangendo a principal área de influência das festas do Senhor de Matosinhos. A igreja localiza-se numa elevação na margem esquerda do rio Leça, sobranceira ao porto de Leixões. A igreja do Bom Jesus de Matosinhos constitui um espaço de peregrinação muito procurado desde tempos bastante remotos devido à aparição, neste local, de uma imagem milagrosa, o Bom Jesus de Matosinhos. Foi-lhe reconhecida uma importância crescente, estendida a todo o país no século XVIII.
A sudeste localiza-se a Câmara Municipal de Matosinhos que tem imediatamente adjacente o Jardim Basílio Teles.

A poente da igreja localiza-se o adro arborizado onde se destaca a existência de um coreto, estátuas, grottos, seis capelas que representam alguns dos Passos da Paixão de Cristo, lago e repuxo e uma fonte de pedra. A nascente, localiza-se o Cemitério Municipal e existe ainda o edifício sede da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia. A sudeste, localiza-se o Parque 25 de Abril, inserido num contexto habitacional e comercial. Faz parte dos espaços destinados à Festa do Senhor de Matosinhos.

A presença do adro do Senhor de Matosinhos, com a sua notável igreja, o Parque 25 de Abril e todo o espaço compreendido entre estes acaba por configurar um espaço de particular interesse enquanto espaço público sendo de referir a presença do imenso parque de estacionamento que, simultaneamente, serve as festas do Senhor de Matosinhos em Maio ou Junho, de cada ano. Por sua vez, este espaço confina com o espaço público constituído pelo Jardim Basílio Teles e pela envolvente do edifício da Câmara Municipal.

 

Património Cultural

A igreja do Bom Jesus de Matosinhos encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1982 (Dec. nº 28/82, DR 47 de 26 Fevereiro 19822) constitui um “(…) exemplo muito significativo de quase todo o Barroco Nortenho que valoriza sobremaneira a espectacularidade no tratamento de superfícies decoradas em detrimento das tensões espaciais resultantes inusitadas ou de aturados estudos sobre a iluminação interior.”

A igreja foi erguida no século XVI por iniciativa da Universidade de Coimbra que, desde 1542, possuía o padroado de “Sam Salvador de Bouças”. A actual igreja de Matosinhos veio substituir um velho templo até aí existente, sendo que destas primitivas edificações nada se conhece, apenas que se situava a algumas centenas de metros de distância, no lugar de Bouças – local onde, na Idade Média, existira um mosteiro. A obra de construção do novo templo renascentista foi entregue em 1559, a João de Ruão. Na fase final da sua edificação, entre 1576 e 1579, um outro famoso artista da época, Tomé Velho, se juntou a este.

Posteriormente há registos de sucessivas intervenções, muitas das quais tiveram como objectivo actualizar o equipamento litúrgico da igreja. Embora as dimensões da igreja não se tenham alterado significativamente, resta muito pouco desse templo inicial. À excepção das colunas jónicas que dividem interiormente as três aves e suportam a cobertura do templo, revestida a painéis de madeira, não é possível observar muitos vestígios dessa primeira época. A igreja foi profundamente alterada no século XVIII.

O crescimento da Irmandade e a exiguidade do espaço, sentida cerca de 1726, ditaram primeiro a renovação da capela-mor, sofreu profundas alterações nas duas primeiras décadas daquele século, com novo retábulo, desta feita da responsabilidade do entalhador Luís da Costa Pereira, que executou ainda o forro da igreja e o do arco cruzeiro. O resto do corpo do edifício foi significativamente alterado, a partir de 1743, pelo arquitecto italiano Nicolau Nasoni que levantou as paredes laterais e produziu uma fachada barroca totalmente nova. Durante o século XVIII o interior da igreja foi coberto, de um modo significativo, por talha dourada, ao gosto do barroco, abrigando algumas das melhores obras-primas dessa arte no nosso país.

A planta resultante é de cruz latina, com três naves de cinco tramos, onde se abriram duas novas capelas, e capela-mor rectangular. A fachada principal reveste-se de um especial interesse, no contexto das suas obras, por ser a única desenvolvida no sentido horizontal, e denotando uma influência rococó nas linhas finas e nervosas que marcam os elementos decorativos de um alçado que, em todo o caso, ainda se inscreve no barroco que caracterizou os trabalhos de Nasoni até então. O frontispício de Matosinhos é ritmado por pilastras que separam os dois campanários laterais do corpo central terminado em frontão interrompido e levitado por quatro fogaréus. Profusamente trabalhada nos remates, frontões e pilastras, apresenta jogos de volutas, curvas contorcidas e fogaréus e rasgada por três portais de verga recta encimados por frontões interrompidos por cartelas. Nas torres, abrem-se nichos com estátuas. No interior, naves separadas por cinco arcos de volta perfeita assentes em colunas jónicas. Duas delas têm adossados dois púlpitos quadrados de talha. Naves laterais com retábulos de talha dourada, sendo as sanefas e gradeamentos igualmente de talha. O tecto é revestido em caixotões de madeira. No transepto destaque para os retábulos de talha das Capelas do Santíssimo Sacramento, a N. e a Capela do Senhor dos Passos a S. Arco triunfal pleno envolvido por rica decoração em talha dourada. A Capela-mor é toda revestida a talha dourada. Do lado N. encontra-se um arcossólio que contém os restos mortais do Bispo de Gra-Pará. Ainda do recheio, há a registar quatro bancos de encosto rococó e uma escultura de pedra de Ança, figurando S. Pedro Patriarca, com vestígios de policromia e que se presume ter saído da oficina do célebre mestre João de Ruão.

“A documentação existente permite acompanhar a evolução dos trabalhos e conhecer os intervenientes. António Rodrigues, que voltaria a trabalhar com Nasoni na igreja do Bougado, foi o responsável pela obra de pedraria e Manuel Pereira Soares pela de carpintaria, iniciada em 1744. Em 1746 tinham início os trabalhos de talha, um ano antes da conclusão da obra de pedraria. A capela-mor e o arco triunfal foram totalmente revestidos a talha dourada, de estilo joanino, que se relaciona ainda com o tecto da nave, que deverá ser o da campanha seiscentista. A sagração do templo ocorreu em 1760”.

Dos sete altares, o principal é dedicado ao Senhor, sendo de realçar num deles, a representação da Árvore de Job. Nesta Igreja encontra-se a imagem do Bom Jesus de Matosinhos, tratando-se de uma das mais antigas imagens de Cristo, cuja escultura a lenda atribuía a Nicodemos. Inicialmente depositada no Templo de Bouças (séc. XVI), devido ao avançado estado de degradação deste templo tornou-se inevitável a construção de nova igreja em cujo altar-mor ainda hoje se encontra a imagem. Trata-se de uma escultura em madeira oca, com cerca de dois metros de altura e extremamente curiosa, dada a assimetria simbólica do olhar, já que o olho esquerdo se dirige para o Céu e o direito para a Terra, numa clara simbiose entre Deus e o Homem. O seu exterior destaca-se pelas duas torres sineiras simétricas, o frontão quebrado, a porta principal decorada com medalhão, no qual se insere uma concha de vieira k os dois nichos laterais que contêm as estátuas de S. Pedro e S. Paulo. No adro existem ainda, dois fontanários e seis capelas com diversas cenas dos Passos da Paixão: Capela de Santo Amaro, Capela do Sagrado Coração de Jesus, Capela de S. Roque, Capela da Quinta de Monserrate e Capela da Misericórdia.

Casa Costa Braga
Santa Casa da Misericórdia

 

Património Natural

No largo da Igreja do Bom Jesus estão presentes árvores de grande porte, nomeadamente, plátanos (Platanus orientalis var. acerifolia), que formam vários alinhamentos por todo o largo, e pontuações de outras espécies, como choupo-branco (Populus alba), tília (Tilia tomentosa), salgueiro-chorão (Salix babylonica), teixo (Taxus baccata), araucária (Araucaria heterophylla), castanheiro-da-índia (Aesculus hippocastanum), japoneira (Camellia japonica), oliveira (Olea europaea), palmeira-da-china (Trachycarpus fortunei), palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), carvalho (Quercus coccinea), robínia (Robinia pseudoacaia), padreiro (Acer pseudoplatanus), entre outras. Plantas arbustivas como azáleas e rododendros (Rhododendron sp.), azevinho (Ilex aquifolium), oleagno (Elaeagnus pungens), escova-degarrafas (Callistemon speciosus), pieris (Pieris japonica), evónimo (Euonymus japonica) e hortenses (Hydrangea macrophilla) formam canteiros rodeados por sebes talhadas de buxo (Buxus sempervirens).

 

Acessibilidade

A28 (Viana do Castelo/Matosinhos)/ Av. D. Afonso Henriques;

A4 (Vila Real/Matosinhos)/ Av. da Liberdade/ Av. D. Afonso Henriques;

Metro do Porto: Linha A (Azul).

 

PDM

No âmbito do PDM em vigor as áreas que integram este sítio correspondem à classe de espaço “zona urbana e urbanizável”, abrangendo as categorias de “área verde de parque e cortina de protecção ambiental” e “área de equipamento”.

As zonas classificadas como “área verde de parque e cortina de protecção ambiental” correspondem genericamente ao Parque 25 de Abril e à rotunda Avenida D. Afonso Henriques. A restante área está classificada na categoria “área de equipamento”.

O PDM em vigor encontra-se publicado no Diário da República, 2.a série, n.º 266 (suplemento), de 17 de Novembro de 1992 (despacho n.º 92/92, do Ministro do Planeamento e da Administração do Território).